Marca outro almoço, Luxa.
Imputei a mim mesmo uma pena. Escrever sobre um assunto que provavelmente estará morto e enterrado quando da publicação desta crônica: a volta ou não de Nilmar ao Inter. Posso me dar bem ou pagar um mico fantástico, mas não importa. Quem não arrisca não petisca, e é mais fácil ser profeta do acontecido do que apostar numa idéia. Ou alguém aí vai ter a cara de pau de dizer que adorou quando o Gabiru entrou em campo naquele jogo fatídico, heim? Ah, vamos falar a verdade!
Há de se admitir: muitos jogos do Inter esse ano não foram tão emocionantes quando as idas e vindas da dificílima negociação que tenta – ou tentou, ou já conseguiu – trazer para o Beira-Rio o melhor atacante do país, mesmo no momento estando ele com um joelho roto e remendado. Poucas vezes se noticiou tanto e se desmentiu com o mesmo ímpeto, quase que imediatamente. Bombas jornalísticas estouraram e não explodiram em uma irritante profusão. Todos os "sobrinhos de tios de vizinhos de amigos" de pessoas influentes no clube tinham a informação derradeira: ou Nilmar já era nosso, ou estava acertado com o São Paulo há meses. Um frenesi impressionante. Acho que nem uma declaração de guerra à Argentina provocaria tanta especulação.
E então, quando ao meio-dia de hoje tudo parecia certo, surge Wanderley Luxemburgo. Com sua voz de cantor de gafieira e seus ternos de seda, o grande treinador do Santos daria uma última e desesperada arremetida rumo ao alvo. Imaginem a cena: Luxa almoçando com o nosso querido investidor endinheirado num chique restaurante dos Jardins, desses que servem massa com molho de tomate enlatado a oitenta reais por cabeça. Destoando vivas ao seu time, dizendo que na Vila Belmiro Nilmar será feliz, o manager-treinador deu sua cartada final. "Nilmar, esqueça o Inter", "Nilmar, eu sou manager! Manager"! "Eu uso ternos Valentino e relógios Rolex, eu tenho um projeto pra você, meu craque". E por aí vai. Caro leitor, dê asas à sua criatividade e imagine o discurso do sabonete...
Na minha cabeça afeita a idealizações, Luxemburgo é daqueles homens cheios de sofisticações, balacas gratuitas e perfumes de quinhentos reais, tanto para o melhor quanto para o pior. Resolve tudo com um "almoço nos Jardins": desde o divórcio até a cor do próximo sapato. Foi nesse clima requintado e empresarial, uma versão de "O Aprendiz" futebolístico que, parece, caiu – ou não – o último empecilho entre nós e o craque. Por mim, você está demitido, Luxa. O garoto há de ser nosso e você que continue com Renatinho, Tabata e outros menos cotados.
Nilmar vale uma novela, um conto, uma ópera, até um longa-metragem. Em forma, não joga: voa. Com seus giros sensacionais, sua velocidade e inventividade, digo e repito: contratado, fará do Inter um time muito, mas muito melhor do que é agora. Há pouquíssimo tempo o ataque colorado parecia uma Sauber enguiçada. Com ele e Fernandão nossa linha de frente será um acontecimento terrestre, marítmo e aéreo. Uma mistura de Ferrari com McLaren e pitadas de caça F-15: um quebrando a barreira do som pelos lados do campo e o outro cabeceando e chutando a tudo e a todos para dentro do gol adversário. Haja piloto para tanta máquina. Se pisar no pedal, esse time vai andar mesmo. E como.
Mas como sabemos, a história ainda não está encerrada. Agora, dez para as sete da noite desta quinta-feira, tudo pode acontecer. A decepção é sempre proporcional à expectativa e não é nosso costume cantar vitória antes da hora, ao contrário do Barcelona. Mas se não der certo, confesso: nem eu vou agüentar. No entanto, perco o amigo mas não a piada.
Luxa, pode marcar outro almoço nos Jardins, viu? Parece que o Riquelme ainda está livre. Mas já te adianto: dessa vez tenta uma parrillada, que é comida que argentino gosta.
Há de se admitir: muitos jogos do Inter esse ano não foram tão emocionantes quando as idas e vindas da dificílima negociação que tenta – ou tentou, ou já conseguiu – trazer para o Beira-Rio o melhor atacante do país, mesmo no momento estando ele com um joelho roto e remendado. Poucas vezes se noticiou tanto e se desmentiu com o mesmo ímpeto, quase que imediatamente. Bombas jornalísticas estouraram e não explodiram em uma irritante profusão. Todos os "sobrinhos de tios de vizinhos de amigos" de pessoas influentes no clube tinham a informação derradeira: ou Nilmar já era nosso, ou estava acertado com o São Paulo há meses. Um frenesi impressionante. Acho que nem uma declaração de guerra à Argentina provocaria tanta especulação.
E então, quando ao meio-dia de hoje tudo parecia certo, surge Wanderley Luxemburgo. Com sua voz de cantor de gafieira e seus ternos de seda, o grande treinador do Santos daria uma última e desesperada arremetida rumo ao alvo. Imaginem a cena: Luxa almoçando com o nosso querido investidor endinheirado num chique restaurante dos Jardins, desses que servem massa com molho de tomate enlatado a oitenta reais por cabeça. Destoando vivas ao seu time, dizendo que na Vila Belmiro Nilmar será feliz, o manager-treinador deu sua cartada final. "Nilmar, esqueça o Inter", "Nilmar, eu sou manager! Manager"! "Eu uso ternos Valentino e relógios Rolex, eu tenho um projeto pra você, meu craque". E por aí vai. Caro leitor, dê asas à sua criatividade e imagine o discurso do sabonete...
Na minha cabeça afeita a idealizações, Luxemburgo é daqueles homens cheios de sofisticações, balacas gratuitas e perfumes de quinhentos reais, tanto para o melhor quanto para o pior. Resolve tudo com um "almoço nos Jardins": desde o divórcio até a cor do próximo sapato. Foi nesse clima requintado e empresarial, uma versão de "O Aprendiz" futebolístico que, parece, caiu – ou não – o último empecilho entre nós e o craque. Por mim, você está demitido, Luxa. O garoto há de ser nosso e você que continue com Renatinho, Tabata e outros menos cotados.
Nilmar vale uma novela, um conto, uma ópera, até um longa-metragem. Em forma, não joga: voa. Com seus giros sensacionais, sua velocidade e inventividade, digo e repito: contratado, fará do Inter um time muito, mas muito melhor do que é agora. Há pouquíssimo tempo o ataque colorado parecia uma Sauber enguiçada. Com ele e Fernandão nossa linha de frente será um acontecimento terrestre, marítmo e aéreo. Uma mistura de Ferrari com McLaren e pitadas de caça F-15: um quebrando a barreira do som pelos lados do campo e o outro cabeceando e chutando a tudo e a todos para dentro do gol adversário. Haja piloto para tanta máquina. Se pisar no pedal, esse time vai andar mesmo. E como.
Mas como sabemos, a história ainda não está encerrada. Agora, dez para as sete da noite desta quinta-feira, tudo pode acontecer. A decepção é sempre proporcional à expectativa e não é nosso costume cantar vitória antes da hora, ao contrário do Barcelona. Mas se não der certo, confesso: nem eu vou agüentar. No entanto, perco o amigo mas não a piada.
Luxa, pode marcar outro almoço nos Jardins, viu? Parece que o Riquelme ainda está livre. Mas já te adianto: dessa vez tenta uma parrillada, que é comida que argentino gosta.
Quem sabe dessa vez você - e seus ternos - conseguem levar um craque para a Vila Belmiro!
Por Daniel Ricci Araújo14/09/2007-01:24:04
Fonte:
http://www.finalsports.com.br/03/inter.php





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